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trabalhando em startups internacionais

28 de janeiro de 2026

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Esse não é um post motivacional. Mas talvez, de alguma forma, ele te motive a continuar atrás dos seus objetivos, sejam eles quais forem, porque às vezes eles realmente se tornam reais.

Comecei a aprender a programar aos dezesseis anos, em 2017. Naquela época era só um hobby. Eu estava no ensino médio, passava a maior parte do dia lá, e meu único objetivo era bem simples: aprender a "hackear" o Wi-Fi da escola, porque eu não tinha plano de internet no celular.

Levei quase dois anos só pra aprender o básico: Python, HTML, CSS e JavaScript. No fim das contas eu consegui as senhas da rede, mas não escrevendo nenhum script mágico. Eu simplesmente passei a entender melhor como os computadores funcionavam e usei o acesso que eu já tinha pra chegar nas chaves.

Depois disso entrei na faculdade na área de computação. Não era um bacharelado, e sim um curso técnico focado em sistemas para internet. No primeiro ano eu percebi uma coisa importante: eu sabia muito menos do que imaginava. Eu não tinha virado um bom programador, na verdade eu era bem ruim.

Aquele ano foi cheio de ideias, áreas novas e aprendizado constante. Eu estava muito interessado, então entrei em quantos projetos consegui e fui a quantos eventos acadêmicos deu. Foi a primeira vez que eu tomei um banho de humildade de verdade.

Mesmo assim eu continuei estudando, continuei praticando, e tive vários momentos de "eureka". No fim daquele ano, em 2019, consegui meu primeiro emprego.

Nesse trabalho eu ensinava informática básica, conceitos de hardware, e ajudava nas aulas de desenvolvimento de jogos. Também comecei a construir sites institucionais, dar suporte técnico e escrever pequenos scripts pra ajudar no trabalho do dia a dia.

Em 2020 fui pra uma software house. Deveria ter sido uma ótima experiência, mas por conta da pressão por entrega e da gestão ruim, virou um caos. Ainda assim, aprendi muito.

Nesse período eu peguei um segundo emprego pra acelerar meu aprendizado, e tive que liderar colegas muito cedo na carreira.

Fiquei o quanto deu, até o custo ficar alto demais: a minha saúde.

Nesse ponto eu tive que tomar uma decisão bem difícil. Eu tinha passado no programa da Thoughtworks para pessoas negras, e também tinha a opção de entrar em outra empresa no Brasil focada em investimentos. Mas eu sentia que não estava pronto pra me mudar para a Índia por dois anos.

Então entrei numa startup como contractor. Pela primeira vez eu tive um equilíbrio melhor entre trabalho e vida pessoal, e muito mais produtividade. Construí a maior parte das APIs e CLIs centrais, participei de decisões técnicas importantes, e trabalhei numa posição pleno que me pagava mais do que meus dois empregos anteriores somados. Eu amei essa experiência.

Mesmo assim, eu estava com fome de virar desenvolvedor sênior, e o plano de carreira de lá não ia me levar até isso rápido o suficiente. Então me mudei de novo depois de alguns meses.

Até esse ponto eu tinha trabalhado principalmente com sistemas gerais: ERPs, produtos micro-SaaS e projetos típicos de software house. Aí eu entrei num mundo bem diferente: um banco de investimentos tradicional.

Ao longo dessa jornada eu virei consultor de sistemas financeiros, mas também troquei de empresa algumas vezes. Aprendi sobre investimentos, conceitos de core banking e seguros. Nos anos seguintes trabalhei com vários bancos tradicionais através de projetos de consultoria e passei por muitos domínios de negócio: recursos humanos, edtech e gateways de pagamento.

Também trabalhei com muitas bases de código e linguagens de programação. Tive experiência com serviços de consultoria na América Latina, trabalhei de perto com times colombianos, e tive a oportunidade de trabalhar com empresas de Portugal.

Nesse ponto eu já era oficialmente um desenvolvedor sênior, e bem mais confiante no meu inglês.

Cheguei ao nível sênior pela primeira vez em 2021. Nos anos seguintes eu continuei tentando ser sênior de verdade, indo para posições de liderança técnica e de especialista. Mas um assunto sempre ficava no fundo da minha cabeça: criptomoedas.

No começo eu tentei investir em cripto usando o conhecimento financeiro que eu já tinha. Depois, em 2022, veio a bolha dos NFTs e dos jogos cripto. Tentei seguir a onda e entender blockchains, dApps e smart contracts, mas nunca senti de verdade que eu pertencia àquele mundo.

No começo de 2024 eu saí do meu último emprego em banco tradicional e decidi virar solopreneur. Parei de trabalhar para consultorias e tentei prestar os meus próprios serviços de consultoria, construir as minhas próprias coisas e talvez construir coisas para os outros como uma software house. Passei por vários negócios até chegar num cliente que estava construindo uma solução baseada em blockchain para sistemas tributários.

Aí a vida aconteceu. Eu fiquei doente. Mas eu gostava de trabalhar com blockchain.

Então continuei me candidatando e, no fim, cheguei no meu projeto atual: trabalhar numa carteira de criptomoedas em uma startup americana.

E é aqui que essa história começa de verdade.

Meu último mês foi cheio de experiências novas. Acho que a primeira grande diferença ao trabalhar numa empresa internacional é que, pra trabalhar com pessoas em outros países, o tempo precisa ser atravessado, e a gente também precisa ser mais autônomo. Eu me sinto muito mais livre trabalhando assim.

Outra coisa importante é que, quando a gente lida com regras de negócio que atravessam muitos países, como o meu time atual faz, a gente tem a oportunidade de aprender bastante sobre outras culturas. Isso não parece distante de jeito nenhum. Eu descobri que trabalhar para empresas de outros países que operam internacionalmente é muito diferente, e eu não estou falando só de internacionalizar a sua base de código com i18n.

Então é isso. Esse não é um post técnico, e sim um pedaço da minha jornada. Eu pretendo escrever mais sobre isso, e talvez traduzir meus outros textos para o inglês, levando meu pouco conhecimento um passo adiante, porque eu vejo que isso pode ser muito recompensador.

Espero que ajude.

Até mais!